quarta-feira, 13 de julho de 2011

VÁ SE FODER.

Esse é um bom começo. Se você parou de ler no título, então fez bem: eu não quero você aqui.

Senão, enfie uma faca no meio do seu cu, seu aborto de uma cadela leprosa.

Ainda aí? Bom. Se continou lendo, melhor, se está rindo, então estamos chegando a algum lugar.

A internet virou o reduto dos bunda-moles. Dos cuzões, dos covardes e dos imbecis. Não, não falo daqueles trollzinhos de merda que ficam enchendo o seu saco. Nem dos spammers - nem é tão dificil bloquea-los hoje em dia, ahn? - e nem dos engraçadinhos que se estapeiam por um PRIMEIRO! Afinal, quem nunca foi primeiro, nem que escondido atrás de um fake?

Não, não foram esses idiotas que foderam a internet. Eles eram chatos, arrogantes, infantis, as vezes até nos divertiam com suas graças... Mas eram inofensivos. Não alimente os trolls. Você sabe, não é fácil lidar com chatos, mas no final, eles não causam mal nenhum. Eles um dia se cansam, vão embora, são expulsos... as vezes até viram seus amigos.

Então, um dia, você entra num blog, e lê algo que realmente te ofende. E você nota como foi tolo, perdendo seu tempo discutindo com o seu troll de estimação. Porque ali, naquele post, você descobre finalmente o sentido de palavras como estúpido, idiota, arrogante e infantil. Imperdoavel. É o que simples palavras fazem soar em sua mente, "imperdoavel". Afinal, aquele texto ofendeu aquilo que você tem de mais precioso, suas idéias - e ideais.

Tomado pela fúria divina, ensadecido pela tolice humana, munido das ARMAS QUE OS DEUSES LHE DERAM PARA COMBATER O MAL NESSE MUNDO, VOCÊ PARTE PARA A BATALHA! E escreve um comentário curto e educado, onde expressa sua opnião, e o quanto você achou errado tudo aquilo que acabou de ler. Orgulho, com um certo alivio, você revisa e envia seu texto, certo de que alguém entenderá seu ponto de vista.

Então.

Seu comentário é deletado, você é banido, e chamado de TROLL.

"Como? O... o que? Esse filho da puta acabou de dizer que... E EU SOU O TROLL? ELE NEM DEIXOU OS OUTROS LEREM O QUE EU ESCREVI!"

E o que você faz? Bem, isso depende de você. Mas você sabe o resultado.

O resultado é nada. Você é expulso, bloqueado, deletado, e vai para casa com seu chapéu de troll. Não importa onde você vá, cada vez mais, você verá isso. Se você não concordar com aquilo que está escrito - digo mais, se não escrever aquilo que o redator espera de você - não, esperde, se você não chupar as bolas do filho da puta até o saco dele ficar roxo e então preto, você não pode fazer parte daquela comunidade.

E comunidade é a palavra que define o que a internet está se tornando. Se antes era um local de compartilhamento de informações, hoje a internet é um mundo repleto de comunidades. Pequenas, grandes, umas dentro das outras, interagindo. Você precisa de senhas, cadastros, avatares, permissões... É como se um jardim público, uma praça, ganhasse portas, muros, cercas, e guardas cobrando passagens. A prenda pode ser qualquer coisa: um elogio, um cadastro, um nome, dinheiro... Não importa. A internet foi loteada e vendida, agora você deve pagar por passagem.


E foi assim que se fez inferno no lindo reino da internet.

Não, foi assim que foderam a internet.

Como uma puta banguela, suja e arreganhanda.

Eu não tenho nada contra o lucro dos outros. E nem você, suponho. Bem, se tem, não devia. Exceto que esse lucro comece a foder com você. E bem, é o que acontece aqui. Os senhores feudais de cada comunidade tem seu lucro, e você deve pagar passagem. "A internet é de todos","A internet é livre". Como eu ouvi isso, meu Deus, meu grande Satã, poderoso Cthullhu e MONSTRO VOADOR DO SPAGHETTI.

Blogueiros, redatores, distribuidores, programadores... Eles pregaram que a internet não poderia ser comprada, que ela não poderia ser controlada, que ela sequer seria entendida por aquele "bando de velhos", aquelas pessoas más do mundo 1.0, que queriam transformar a net numa versão virtual do sistema e da sociedade falida e corrupta em que viviam.

E eles tinham razão. Esses "velhos", essas pessoas nascidas antes da internet, até hoje não compreendem seu potêncial como nós que nascemos conectados entendemos. Eles jamais conseguiriam controlar algo que não entendem, isso é fato.

Mas eles não precisaram, isso é outro fato. Porque nós fizemos isso por eles.

Transformamos a internet num sistema feudal, com reis, rainhas, senhores, cavaleiros e muitos, mas muitos camponeses ávidos por pão e circo. Cada comunidade é um castelo, uma cidade, um lugar onde alguns poucos retém o poder com nada mais que palavras e pulso firme, enquanto um bando de tolos diperdiça sua vida - e todo seu potêncial e toda sua criatividade - apenas para consumir qualquer naco de pão que os senhores atirem pelos muros.

Onde você vê comunidade, eu vejo muros, onde você vê interatividade, eu vejo correntes, onde há conectividade, eu vejo uma prisão. Agora estamos todos ligados, e se queremos entrar aqui, precisamos pagar um preço, precisamos de um guia, uma indicação, um favor. Ao invés de ser apenas uma feira livre, onde se trocava informação por informação, a internet se torna a cada dia uma cópia da sociedade em que vivemos. As mesmas regras tolas ditadas por pessoas que tem tanto direito de gorvernar quanto você e eu, e que agora se esforçam ao máximo para manter o status quo.

Você sabe do que governar se trata? Se trata de manter tudo como está. Bem, primeiro você faz promessas, muitas promessas. Promessas de mudanças, porque é isso que os governados querem: uma mudança para uma vida melhor. Ou qualquer mudança. Porque parece que nada pode ser pior do que como já está. Então você governa, a passos de lesma, dizendo a todos que a mudança chegará. Você constrói algo aqui, acaba com outro ali. Bobagem, você construiu algo desnecessário ou obvio, você destruiu algo que não faz falta a ninguém, não via incomodar ninguém; provavelmente, o problema simplesmente vai se instalar em outro lugar. Ao final de seu governo, você exalta as mudanças que fez, o caminho que percorreu, e chora por aqui que não conseguiu realizar, mas garante que lutou bravamente.

Bobagem. Porque? Bem, o que o povo queria? Mudanças. E você, o que queria? Manter tudo como estava. Ou seja, você no poder, eles governados. Enquanto você toca o rebanho para lá e para cá, você se mantém no poder. Mantém, manter, permanecer, assegurar de que tudo continue em seu lugar. Você no comando, lucrando, eles comandados, trabalhando para você. Mudanças não são bem vindas para qualquer governante. Afinal, se a balança muda, para onde vai o poder? Ninguém sabe. Para mão do povo, talvez. Para seu adversário. Não importa, todos são seus adversários. Você quer o poder.

Essa é a base de nosso mundo. Se ainda não tinha notado, bem ok. Se está lendo isso duvido que faça parte da elite de alguma coisa. Talvez do grêmio da escola, mas acho que nem isso. Você nasceu para ser gado.

Você entende onde quero chegar com toda essa loucura? Bem, é simples. A grande "mudança" que a internet trouxe em nossas vidas não durou mais que um instante, pois o comportamento humano prevaleceu sobre as mudanças. No final, ainda somos iguais, ainda somos os mesmos, seja na internet ou no mundo real.

É por isso que você é um troll. O que, preciso fazer um desenho, depois dessa explicação toda?

Se sua opnião vai contra o status quo, se ela ameaça a sensivel paz de uma comunidade, você é um problema. A internet veio como uma fonte de mudanças, ela nasceu como uma força que mudava tudo o que tocava. Mas nós a lapidamos para algo que podemos entender, conviver, comprar, vender, e acima de tudo, controlar.

Se você fizer parte da elite de alguma comunidade, você está a salvo. Afinal, você está lá porque concorda com as ideais daquele lugar, ou porque sua voz é tão fraca que pode ser tolerada. Mas no dia em que você expressar algo além do permitido, então meu caro, você é um troll.